Deuteronômio 21–23
Em Deuteronômio 21–23, Deus desce a santidade do “altar” para a rua, para a casa e para a vida comum. Quando aparece um morto no campo e não se sabe quem matou (21), a comunidade inteira é chamada a lidar com o sangue derramado — porque injustiça não resolvida contamina o povo; a vida humana é séria demais para virar “ninguém sabe, então deixa”. Ainda no mesmo capítulo, leis sobre família, herança e disciplina lembram que autoridade e correção não são licença para abuso, mas responsabilidade diante de Deus. Em Deuteronômio 22, a fé ganha forma em pequenos deveres: devolver o que se perdeu, proteger o animal caído, colocar parapeito no terraço para evitar tragédias — amar o próximo também é prevenir o mal. As orientações sobre sexualidade e fidelidade são firmes porque alianças quebradas machucam pessoas e corroem a confiança social; Deus não chama seu povo a prudência “para estragar a diversão”, mas para proteger vidas. Em Deuteronômio 23, a santidade inclui o cuidado com a assembleia e com o acampamento: pureza no corpo e no ambiente, reverência ao Deus que caminha no meio do povo. Ao mesmo tempo, o texto surpreende com misericórdia prática: não entregar o escravo fugitivo de volta ao opressor, não explorar com juros o irmão necessitado, cumprir votos com seriedade e até permitir que o faminto coma do vinhedo e da plantação enquanto passa — compaixão sem transformar ajuda em abuso.
O fio condutor: Deus quer um povo que una verdade e ternura: justiça que não varre pecado para debaixo do tapete, pureza que não é fachada, e compaixão que não explora nem abandona.
Oração: Senhor, ensina-me a viver santidade no comum: nas minhas escolhas, palavras, relacionamentos e responsabilidade com o outro. Dá-me um coração que ama a justiça sem perder a misericórdia, e que busca pureza sem hipocrisia. Amém.






