Leitura: Números 34–36
Em Números 34, Deus estabelece as fronteiras exatas da Terra Prometida que Israel herdaria. As fronteiras são descritas detalhadamente:
Fronteira Sul: Do deserto de Zim até Cades-Barneia, estendendo-se até o Mar Mediterrâneo.
Fronteira Oeste: O Mar Mediterrâneo (Mar Grande).
Fronteira Norte: Do Mediterrâneo até o monte Hor, depois até a entrada de Hamate.
Fronteira Leste: Do norte descendo até o Mar de Quinerete (Mar da Galileia), seguindo o Jordão até o Mar Salgado (Mar Morto).
Estas fronteiras definiam claramente o território que Deus dava a Israel. Não era o mundo inteiro, mas uma porção específica. Deus estabelece limites apropriados para Suas bênçãos.
Dez homens são nomeados — um príncipe de cada tribo (exceto Rúben, Gade e meia tribo de Manassés, que já tinham herança) — para supervisionar a divisão da terra sob liderança de Eleazar, o sacerdote, e Josué.
Em Números 35, Deus ordena que Israel dê aos levitas 48 cidades dentre suas heranças, com pastagens ao redor para seu gado. Os levitas não receberiam território tribal como as outras tribos, mas cidades espalhadas por toda a terra — permitindo que sua influência espiritual alcançasse toda a nação.
Seis destas cidades seriam cidades de refúgio — três do lado oeste do Jordão e três do lado leste. Estas cidades ofereciam proteção para quem matasse alguém acidentalmente, sem intenção.
A lei distinguia claramente entre homicídio (assassinato premeditado) e homicídio culposo (morte acidental):
Homicídio intencional: Se alguém matasse com instrumento de ferro, pedra ou pau, ou por inimizade, era considerado assassino e deveria morrer. O “vingador do sangue” (parente mais próximo da vítima) tinha o direito e dever de executar o assassino.
Homicídio culposo: Se alguém matasse acidentalmente, sem inimizade prévia, poderia fugir para uma cidade de refúgio. A congregação julgaria o caso. Se fosse considerado inocente de assassinato, permaneceria na cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote. Depois disso, poderia retornar para sua terra em segurança.
Se o homicida saísse da cidade de refúgio antes da morte do sumo sacerdote, o vingador do sangue poderia matá-lo sem culpa.
Este sistema protegia tanto o inocente quanto a santidade da vida. Sangue inocente não poderia ser derramado, mas sangue culpado deveria ser vingado. A terra não poderia ser contaminada por sangue não expiado.
As cidades de refúgio apontam profeticamente para Cristo, nosso refúgio. Assim como o homicida culposo corria para a cidade de refúgio e encontrava proteção, nós, culpados de pecado, corremos para Cristo e encontramos perdão e proteção da condenação. “Temos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta” (Hebreus 6:18).
A morte do sumo sacerdote liberava o homicida — apontando para a morte de Cristo, nosso Sumo Sacerdote, que nos liberta completamente.
Em Números 36, os líderes da família de Gileade (tribo de Manassés) trazem uma preocupação legítima. As filhas de Zelofeade haviam recebido herança (Números 27), mas se casassem com homens de outras tribos, sua herança passaria para aquelas tribos no Jubileu, diminuindo permanentemente a herança de Manassés.
Moisés, orientado por Deus, estabelece uma solução: as filhas de Zelofeade (e qualquer mulher que herdasse terra) deveriam casar-se dentro de sua própria tribo, “para que a herança dos filhos de Israel não passe de tribo em tribo… e cada um se chegará à herança da tribo de seus pais.”
As cinco filhas de Zelofeade obedecem, casando-se com seus primos da tribo de Manassés. Sua herança permanece na tribo.
Este capítulo final de Números enfatiza a importância de preservar a herança que Deus dá. Cada tribo deveria manter sua porção designada. Isto garantia estabilidade, identidade tribal e cumprimento das promessas específicas de Deus a cada tribo.
Espiritualmente, nos ensina que devemos guardar cuidadosamente a herança espiritual que recebemos em Cristo — não permitindo que se perca ou seja diluída através de alianças inadequadas ou negligência.
O livro de Números termina com esta nota: “São estes os mandamentos e os juízos que mandou o Senhor aos filhos de Israel, pela mão de Moisés, nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó.”
Israel está finalmente às portas da Terra Prometida. Quarenta anos de peregrinação terminaram. Uma nova geração, purificada pela disciplina do deserto, está pronta para entrar. A jornada do Egito ao Jordão está completa. Agora vem a conquista.
Propósito do dia:
Reconhecer que Deus estabelece limites apropriados para Suas bênçãos, que Cristo é nosso refúgio da condenação do pecado, e que devemos preservar cuidadosamente a herança espiritual que recebemos nEle.
Oração:
Senhor, obrigado porque em Cristo encontro refúgio seguro da condenação do pecado. Assim como o homicida corria para a cidade de refúgio, eu corro para Ti e encontro perdão completo. Ajuda-me a preservar cuidadosamente a herança espiritual que me deste, não permitindo que se perca através de negligência ou alianças inadequadas. Que eu valorize tudo que recebi em Cristo. Em nome de Jesus, amém.






