Leitura: Números 31–33
Em Números 31, Deus ordena a Moisés: “Vinga os filhos de Israel dos midianitas; depois, serás recolhido ao teu povo.” Esta seria a última missão de Moisés antes de morrer. Os midianitas haviam seduzido Israel à imoralidade e idolatria através do conselho de Balaão (Números 25), causando a morte de 24.000 israelitas.
Mil homens de cada tribo — 12.000 guerreiros ao todo — são enviados à guerra sob liderança de Finéias (o sacerdote zeloso). Eles matam todos os homens midianitas, incluindo os cinco reis de Midiã e Balaão, o profeta ganancioso que aconselhou a sedução de Israel.
As mulheres, crianças e gado são capturados como despojo. Mas quando retornam, Moisés fica irado: “Deixastes viver todas as mulheres?… foram estas que… deram ocasião aos filhos de Israel de transgredirem contra o Senhor… e houve aquela praga.”
Moisés ordena que matem todas as mulheres que conheceram varão e todos os meninos, mas preservem as meninas virgens. A severidade do juízo reflete a gravidade do pecado que quase destruiu Israel.
Os guerreiros e todo o despojo são purificados segundo as leis de purificação. O despojo é dividido igualmente: metade para os guerreiros, metade para a congregação. Dos guerreiros, uma parte de 500 (0,2%) é dada aos levitas; da congregação, uma parte de 50 (2%) é dada aos sacerdotes.
O despojo é imenso: 675.000 ovelhas, 72.000 bois, 61.000 jumentos e 32.000 mulheres virgens. Os capitães trazem ofertas voluntárias de ouro — 16.750 siclos (cerca de 190 kg) — como memorial perante o Senhor.
Notavelmente, nenhum israelita morreu na batalha. Os capitães declaram: “Teus servos tomaram a soma dos homens de guerra… e nenhum de nós falta.” Deus deu vitória completa sem uma única baixa.
Em Números 32, as tribos de Rúben e Gade, que possuíam muito gado, veem que as terras de Jaser e Gileade (já conquistadas do lado leste do Jordão) são excelentes para pastagem. Pedem a Moisés: “Dê-se esta terra a teus servos em possessão; e não nos faças passar o Jordão.”
Moisés fica furioso, pensando que repetem o pecado dos espias: “Subirão vossos irmãos à peleja e ficareis vós aqui?… Por que desanimais o coração dos filhos de Israel, para que não passem à terra que o Senhor lhes tem dado?”
Mas eles esclarecem: não querem evitar a guerra, apenas querem herdar do lado leste do Jordão. Prometem: “Edificaremos currais aqui para o nosso gado e cidades para as nossas crianças. Porém nós nos armaremos, apressando-nos diante dos filhos de Israel, até que os levemos ao seu lugar… Não voltaremos para nossas casas até que os filhos de Israel estejam de posse cada um da sua herança.”
Moisés concorda, mas com condição clara: “Se passardes armados o Jordão… e a terra for subjugada diante do Senhor, então, voltareis… Porém, se assim não fizerdes… vossa terra vos achará.”
Rúben, Gade e meia tribo de Manassés (que também se junta) aceitam os termos. Edificam cidades para suas famílias e currais para o gado, depois cruzam armados o Jordão para lutar ao lado de seus irmãos até que toda a terra seja conquistada.
Este episódio ensina que podemos ter preferências legítimas sobre onde viver, mas não podemos abandonar responsabilidades para com a comunidade. Rúben e Gade queriam ficar do lado leste, mas não à custa de deixar seus irmãos lutarem sozinhos.
Em Números 33, Moisés registra todas as 42 etapas da jornada de Israel desde a saída do Egito até as planícies de Moabe — um memorial permanente da fidelidade de Deus durante 40 anos de peregrinação.
A lista começa em Ramessés, no Egito, passa pelo Mar Vermelho, atravessa o deserto de Sur, Sim e Parã, inclui Cades-Barneia (onde os espias foram enviados), e termina nas campinas de Moabe, junto ao Jordão.
Cada nome de lugar conta uma história — alguns de provisão milagrosa, outros de rebelião e juízo. Juntos, testemunham que Deus guiou Seu povo fielmente através de cada etapa, mesmo quando murmuravam e se rebelavam.
Deus então dá instruções para quando entrarem em Canaã: “Lançareis fora todos os moradores da terra… destruireis todas as suas imagens… e desfareis todos os seus altos.” Não deveriam fazer aliança com os cananeus nem tolerar sua idolatria.
A advertência é solene: “Mas, se não lançardes fora os moradores da terra… os que deixardes ficar deles vos serão por espinhos nos vossos olhos e por aguilhões nas vossas ilhadas e vos perturbarão na terra em que habitardes.”
Infelizmente, Israel não obedeceu completamente esta ordem, e os cananeus remanescentes se tornaram exatamente isso — espinhos constantes que os levaram repetidamente à idolatria, conforme registrado em Juízes.
O capítulo termina com instruções sobre como dividir a terra por sorteio entre as nove tribos e meia (já que Rúben, Gade e meia tribo de Manassés ficariam do lado leste do Jordão).
Propósito do dia:
Reconhecer que Deus julga o pecado severamente, que temos responsabilidades para com a comunidade de fé, e que devemos eliminar completamente tudo que nos leva à idolatria, não tolerando “espinhos” espirituais.
Oração:
Senhor, obrigado por Tua fidelidade em cada etapa da minha jornada. Ajuda-me a não abandonar minhas responsabilidades para com meus irmãos em Cristo. Dá-me coragem para eliminar completamente tudo que me leva para longe de Ti. Que eu não tolere “espinhos” espirituais que me perturbem e desviem. Guia-me fielmente até minha herança eterna. Em nome de Jesus, amém.






