Responsabilidades Sacerdotais, Purificação e a Serpente de Bronze
Em Números 18, após as rebeliões e pragas, Deus reafirma as responsabilidades e privilégios dos sacerdotes e levitas. Arão e seus filhos levam “a iniquidade do santuário” — são responsáveis por qualquer profanação das coisas sagradas. Os levitas os assistem, mas não podem tocar os utensílios santos nem o altar, “para que não morram, assim eles como vós”.
A seriedade é enfatizada: “Guardai, pois, o serviço do santuário e o serviço do altar, para que não haja outra vez furor sobre os filhos de Israel.”
Como sustento, Deus dá aos sacerdotes todas as ofertas santas — ofertas pelo pecado, pela culpa, de manjares, e porções dos sacrifícios pacíficos. Tudo que fosse “movido” perante o Senhor pertencia a eles. As primícias de tudo — grãos, vinho, azeite — eram deles. Todo primogênito, tanto de homens quanto de animais, era deles (embora primogênitos humanos e de animais imundos fossem resgatados).
Aos levitas, Deus dá todos os dízimos de Israel como herança pelo seu serviço no Tabernáculo. Mas os levitas também deveriam dizimar — dar a décima parte dos dízimos que recebiam aos sacerdotes.
Significativamente, nem sacerdotes nem levitas receberiam herança de terra em Canaã. Deus declara a Arão: “Na sua terra, possessão nenhuma terás, e no meio deles, nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel.”
Que privilégio extraordinário! Enquanto as outras tribos herdariam terra, os levitas herdariam o próprio Deus. Ele era suficiente.
Em Números 19, Deus estabelece a lei da novilha ruiva — um dos rituais mais enigmáticos e simbólicos de toda a Escritura. Uma novilha vermelha, perfeita, sem defeito, que nunca levou jugo, deveria ser sacrificada fora do arraial. O sacerdote aspergia seu sangue sete vezes em direção ao Tabernáculo, depois a novilha era completamente queimada — pele, carne, sangue e esterco.
Madeira de cedro, hissopo e carmesim eram lançados no fogo. As cinzas eram recolhidas e guardadas para fazer “água de purificação” — usada para purificar quem se contaminasse tocando em cadáveres.
Qualquer pessoa que tocasse um morto ficava imunda por sete dias. No terceiro e no sétimo dia, deveria ser aspergida com a água de purificação. Se não fosse purificada, seria “extirpada de Israel”.
Este ritual é profundamente profético. Hebreus 9:13-14 explica: “Se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo… purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”
A novilha vermelha apontava para Cristo, que foi sacrificado “fora da porta” (Hebreus 13:12) e cujo sangue purifica de todo pecado — até da contaminação da morte.
Em Números 20, chegamos ao fim dos 40 anos de peregrinação. Miriã morre e é sepultada em Cades. Não há água, e o povo — uma nova geração, mas com as mesmas tendências — murmura contra Moisés e Arão: “Por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este lugar mau?… Nem há água para beber.”
Deus ordena a Moisés: “Toma a vara, e ajunta a congregação… e falai à rocha, perante os seus olhos, e dará a sua água.” Moisés deveria falar à rocha, não feri-la.
Mas Moisés, frustrado após 40 anos de murmurações, clama: “Ouvi, agora, rebeldes! Porventura, tiraremos água desta rocha para vós?” Então “feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saiu muita água”.
Deus proveu água, mas Moisés desobedecera. Deus declara: “Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado.”
Que sentença devastadora! Por um momento de desobediência e falta de domínio próprio, Moisés perdeu o privilégio de entrar na Terra Prometida. A lição é solene: líderes são mantidos em padrão mais elevado. Moisés tomou para si a glória (“tiraremos água”) que pertencia a Deus, e feriu a rocha quando deveria ter falado.
Profeticamente, isto também é significativo. Em Êxodo 17, Moisés havia ferido a rocha (representando Cristo ferido uma vez por nossos pecados). Agora deveria apenas falar à rocha (Cristo, uma vez ferido, responde à oração). Ferir novamente simbolicamente negava a suficiência do sacrifício único de Cristo.
Moisés pede permissão ao rei de Edom para passar por sua terra, prometendo não causar dano. Edom (descendentes de Esaú) recusa e ameaça guerra. Israel contorna seu território.
No monte Hor, Deus ordena que Arão suba o monte com Moisés e Eleazar (filho de Arão). Ali, as vestes sacerdotais são tiradas de Arão e colocadas em Eleazar. Arão morre no monte aos 123 anos. Israel o chora por 30 dias.
Em Números 21, o rei cananeu de Arade ataca Israel. Israel faz voto ao Senhor: se Deus lhes der vitória, destruirão completamente aquelas cidades. Deus concede vitória, e Israel cumpre o voto.
Mas logo o povo volta a murmurar: “Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil” (o maná!).
Deus envia serpentes ardentes que mordem o povo, e muitos morrem. O povo confessa: “Havemos pecado, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti; ora ao Senhor que tire de nós estas serpentes.”
Moisés ora, e Deus ordena: “Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela.”
Moisés faz uma serpente de bronze e a coloca sobre uma haste. “Quando uma serpente mordia alguém, olhava para a serpente de bronze e vivia.”
Jesus citaria este evento: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:14-15).
A serpente de bronze representava o pecado julgado. Cristo, “que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós” (2 Coríntios 5:21). Assim como os israelitas mordidos olhavam para a serpente e viviam, nós, mordidos pelo pecado, olhamos para Cristo crucificado e recebemos vida eterna.
A cura não vinha por fazer algo, mas simplesmente por olhar com fé. Salvação é pela fé, não por obras.
Israel então viaja ao redor de Moabe. Deus lhes dá vitórias sobre Seom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã — dois reis poderosos. Israel conquista suas terras e se estabelece nas planícies de Moabe, do outro lado do Jordão, defronte de Jericó.
Após 40 anos de peregrinação, estão finalmente às portas da Terra Prometida. A geração incrédula morreu no deserto. Uma nova geração, temperada pela disciplina divina, está pronta para entrar.
Propósito do dia:
Reconhecer que líderes são mantidos em padrão elevado, que murmuração traz consequências severas, e que salvação vem simplesmente por olhar com fé para Cristo crucificado, não por nossas obras.
Oração:
Senhor, perdoa-me por toda murmuração e ingratidão. Ajuda-me a honrar-Te em tudo, especialmente quando estou frustrado. Obrigado porque, assim como os israelitas olhavam para a serpente de bronze e viviam, eu olho para Cristo crucificado e recebo vida eterna. Que minha fé esteja sempre fixada nEle. Livra-me de desprezar Tuas bênçãos diárias. Em nome de Jesus, amém.






