Leis para a Nova Geração e a Confirmação da Liderança
Em Números 15, após o juízo devastador sobre a geração incrédula, Deus imediatamente fala sobre o futuro: “Quando entrardes na terra das vossas habitações, que eu vos hei de dar…” Que graça extraordinária! A geração atual não entraria, mas Deus assegura que a próxima geração certamente entraria.
Deus estabelece leis sobre ofertas que deveriam ser observadas quando estivessem na Terra Prometida — ofertas de manjares, libações e primícias. Estas leis olhavam para frente com esperança, não para trás com desespero. Deus nunca desiste de Seu propósito, mesmo quando Seu povo falha.
Uma lei importante é estabelecida: “Uma mesma lei e um mesmo direito tereis, vós e o estrangeiro que peregrina convosco.” Israel não deveria discriminar os estrangeiros que se juntassem a eles. A graça de Deus estava disponível para todos que O buscassem.
Deus distingue entre pecados por ignorância e pecados deliberados (“com mão levantada”). Para pecados não intencionais, havia provisão de sacrifícios expiatórios. Mas quem pecasse presunçosamente, “esse tal blasfema ao Senhor; tal alma será extirpada do meio do seu povo”.
Esta distinção é ilustrada imediatamente. Um homem é encontrado apanhando lenha no sábado — violação clara e deliberada do mandamento. Ele é levado a Moisés, que consulta a Deus. O Senhor ordena que seja apedrejado fora do arraial. A severidade do castigo enfatiza a seriedade da obediência deliberada.
O capítulo termina com a ordenança das franjas (tzitzit) nas bordas das vestes, com um cordão azul. Estas franjas serviriam como lembretes visuais: “para que vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor e os cumprais e não vos deixeis arrastar à infidelidade pelo vosso coração ou pela vossa vista”. A obediência começa com lembrança constante da Palavra de Deus.
Em Números 16, ocorre a rebelião mais grave até agora. Coré (levita coatita, primo de Moisés), junto com Datã, Abirão e Om (da tribo de Rúben), e 250 príncipes da congregação se levantam contra Moisés e Arão.
A acusação é aparentemente espiritual: “Basta! Pois toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a congregação do Senhor?”
Parece democrático e igualitário, mas era rebelião disfarçada de piedade. Eles questionavam a autoridade que Deus mesmo havia estabelecido. Coré, como levita, já tinha privilégio de servir no Tabernáculo, mas cobiçava o sacerdócio. Datã e Abirão, da tribo de Rúben (primogênito de Jacó), provavelmente ressentiam que a liderança não estava com eles.
Moisés cai sobre seu rosto e propõe um teste: “Amanhã pela manhã, o Senhor fará saber quem é seu e quem é santo.” Coré e seus 250 seguidores deveriam trazer incensários com fogo e incenso — prerrogativa exclusiva dos sacerdotes.
Moisés confronta Coré diretamente: “Pouco para vós é que o Deus de Israel vos separou da congregação de Israel… e buscais também o sacerdócio?” A ambição espiritual não santificada é perigosa.
Datã e Abirão recusam-se a vir quando Moisés os chama, acusando-o sarcasticamente: “Porventura, pouco é que nos fizeste subir de uma terra que mana leite e mel [Egito!], para nos matares neste deserto, senão que também totalmente te assenhoreias de nós?”
Moisés, irado, ora: “Não atentes para a sua oferta; nem um jumento tomei deles, nem a nenhum deles fiz mal.”
No dia seguinte, Coré reúne toda a congregação contra Moisés e Arão. A glória do Senhor aparece, e Deus diz a Moisés: “Apartai-vos do meio desta congregação, e os consumirei num momento.”
Moisés e Arão intercedem: “Ó Deus… pecando um só homem, indignar-te-ás tu contra toda esta congregação?” Deus ordena que o povo se afaste das tendas de Coré, Datã e Abirão.
Moisés declara: “Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todos estes feitos, que não procedem do meu coração. Se estes morrerem como morrem todos os homens… o Senhor não me enviou. Mas, se o Senhor criar alguma coisa nova, e a terra abrir a boca e os tragar… então, conhecereis que estes homens irritaram o Senhor.”
Imediatamente, “a terra abriu a sua boca e os tragou com as suas casas, como também todos os homens que pertenciam a Coré e todos os seus bens… vivos desceram ao abismo; a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação.”
Todo Israel foge gritando: “Para que porventura também não nos trague a terra!”
Então “saiu fogo do Senhor e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam o incenso” — o mesmo fogo que consumira Nadabe e Abiú. Oferecer incenso sem autorização divina era fatal.
Deus ordena que os incensários de bronze dos rebeldes sejam martelados em chapas para cobrir o altar, como “memorial aos filhos de Israel, que nenhum estranho, que não for da descendência de Arão, se chegue para acender incenso perante o Senhor”.
Mas a rebelião não termina. No dia seguinte, toda a congregação murmura contra Moisés e Arão: “Vós matastes o povo do Senhor!” Que cegueira espiritual! Deus havia julgado, mas culpavam Moisés.
A nuvem cobre o Tabernáculo, e a glória do Senhor aparece. Deus declara: “Levantai-vos do meio desta congregação, e a consumirei num momento.” Uma praga começa a matar o povo rapidamente.
Moisés grita a Arão: “Toma o teu incensário, põe nele fogo do altar, deita incenso sobre ele, vai depressa à congregação e faze expiação por eles… porque grande indignação saiu de diante do Senhor; já começou a praga.”
Arão corre para o meio do povo com o incensário, “e pôs-se em pé entre os mortos e os vivos; e cessou a praga.” Que imagem poderosa! O sacerdote intercedendo entre os mortos e os vivos, fazendo expiação.
Mas 14.700 pessoas já haviam morrido, além dos que morreram com Coré.
Em Números 17, para acabar definitivamente com as murmurações sobre quem Deus escolhera, o Senhor ordena um teste final. Cada tribo deveria trazer uma vara com o nome de seu líder escrito nela. A vara de Levi teria o nome de Arão.
As doze varas foram colocadas no Tabernáculo, perante o Testemunho (a Arca). Deus declara: “E será que a vara do homem que eu tiver escolhido florescerá.”
No dia seguinte, quando Moisés entrou, “eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira flores, e brotara renovos, e dera amêndoas.”
Vida de um pedaço de madeira morta! Apenas Deus poderia fazer isto. Era confirmação inegável de que Arão era o escolhido de Deus para o sacerdócio.
Moisés trouxe todas as varas para o povo ver. Cada líder tomou sua vara. Mas Deus ordenou que a vara de Arão fosse guardada perante o Testemunho “por sinal para os filhos rebeldes, para que faças acabar as suas murmurações contra mim, e não morram.”
O povo, finalmente consciente da seriedade da santidade de Deus, clama: “Eis que expiramos, perecemos, todos nós perecemos! Todo aquele que se aproximar do tabernáculo do Senhor morrerá; pereceremos todos?”
Eles finalmente entenderam: aproximar-se de um Deus santo sem mediação apropriada é mortal. Precisavam dos sacerdotes que Deus havia designado.
Propósito do dia:
Reconhecer que Deus estabelece autoridade e não devemos questioná-la com rebelião disfarçada de piedade, que ambição espiritual não santificada é perigosa, e que precisamos de mediação sacerdotal — cumprida perfeitamente em Cristo.
Oração:
Senhor, livra-me de rebelião disfarçada de espiritualidade. Ajuda-me a respeitar as autoridades que estabeleceste. Perdoa-me por toda ambição espiritual não santificada. Obrigado porque Jesus é meu Sumo Sacerdote que está entre os mortos e os vivos, fazendo expiação por mim. Que eu nunca presuma aproximar-me de Ti sem a mediação de Cristo. Em nome de Jesus, amém.






