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Dia 037 – Números 4–7

O Serviço Sagrado e as Ofertas de Dedicação

Em Números 4, Deus estabelece as responsabilidades específicas de cada clã levita no transporte do Tabernáculo durante as jornadas pelo deserto. Este capítulo revela que servir a Deus requer ordem, reverência e obediência cuidadosa.

Os Coatitas (homens de 30 a 50 anos) tinham a responsabilidade mais sagrada: transportar os objetos santos do Tabernáculo. Porém, havia uma regra crítica — eles nunca poderiam tocar ou olhar diretamente para as coisas santas, “para que não morram”.

Antes de os coatitas entrarem, Arão e seus filhos deveriam cobrir cuidadosamente cada objeto sagrado:

  • A Arca da Aliança era coberta com o véu, depois com peles de texugo e um pano azul por cima
  • A Mesa dos Pães era coberta com pano azul, depois peles de texugo
  • O Candelabro de Ouro era envolto em pano azul e peles de texugo
  • O Altar de Ouro (incenso) recebia cobertura de pano azul e peles
  • O Altar de Bronze era coberto com pano roxo

Somente depois de tudo estar completamente coberto, os coatitas podiam entrar para transportar os objetos usando as varas apropriadas. Eles carregavam o que era mais santo, mas nunca podiam ver ou tocar diretamente.

Esta lei ensinava reverência profunda pela santidade de Deus. Familiaridade não deveria gerar desrespeito. Mesmo servindo nas coisas mais sagradas, havia limites estabelecidos por Deus.

Os Gersonitas eram responsáveis pelas cortinas, coberturas e véus do Tabernáculo. Recebiam duas carretas e quatro bois para transportar estes materiais mais leves.

Os Meraritas cuidavam da estrutura — tábuas, barras, colunas, bases, estacas e cordas. Recebiam quatro carretas e oito bois para transportar estas peças pesadas.

Os coatitas não recebiam carretas porque transportavam os objetos sagrados nos ombros, usando as varas designadas. O que é mais santo requer cuidado pessoal e direto.

Em Números 5, Deus estabelece leis sobre pureza no acampamento. Pessoas com lepra, fluxos ou contaminadas por cadáveres deveriam ficar fora do arraial “para que não contaminem o arraial no meio do qual eu habito”. A santidade de Deus exigia pureza do povo.

O capítulo também trata de restituição por ofensas. Se alguém pecasse contra outro, deveria confessar, restituir o valor total mais 20% de acréscimo, e oferecer um carneiro como sacrifício pela culpa. O pecado tem consequências práticas que precisam ser reparadas.

Uma lei peculiar é estabelecida sobre ciúmes conjugais. Se um homem suspeitasse de infidelidade da esposa sem provas, ela seria levada ao sacerdote para um ritual de “água de amargura”. Se fosse culpada, sofreria consequências físicas; se inocente, seria livre e poderia conceber. Este ritual protegia tanto a santidade do casamento quanto a inocente de acusações falsas.

Em Números 6, Deus institui o voto de nazireu — uma consagração especial e voluntária ao Senhor por um período determinado. O nazireu (homem ou mulher) deveria:

  1. Abster-se de vinho e bebida forte, nem comer uvas ou qualquer produto da videira
  2. Não cortar o cabelo, deixando-o crescer como sinal visível de consagração
  3. Não tocar em cadáveres, nem mesmo de pais ou irmãos

O cabelo comprido era o sinal externo da consagração interior. Ao final do período, o nazireu raspava a cabeça e oferecia sacrifícios, encerrando o voto.

Sansão, Samuel e João Batista foram nazireus perpétuos desde o nascimento. O voto ensinava que consagração a Deus pode requerer renúncias temporárias de coisas boas em si mesmas, para um propósito maior.

O capítulo termina com a belíssima Bênção Sacerdotal, que Arão e seus filhos deveriam pronunciar sobre Israel:

“O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.”

Esta bênção tripla invoca o nome do Senhor três vezes sobre o povo, e Deus promete: “Assim, porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei.”

Em Números 7, testemunhamos a dedicação do Tabernáculo pelos líderes das doze tribos. Cada príncipe trazia ofertas idênticas durante doze dias consecutivos:

  • Um prato de prata (130 siclos)
  • Uma bacia de prata (70 siclos)
  • Um incensário de ouro (10 siclos)
  • Animais para holocausto, oferta pelo pecado e sacrifício pacífico
  • Flor de farinha com azeite para oferta de manjares

Embora as ofertas fossem idênticas, cada tribo é mencionada individualmente, e suas ofertas são registradas separadamente. Deus valoriza cada contribuição pessoal, mesmo quando parecem iguais às dos outros.

O total das ofertas foi impressionante:

  • 12 pratos de prata e 12 bacias (2.400 siclos de prata)
  • 12 incensários de ouro (120 siclos de ouro)
  • 12 novilhos, 12 carneiros, 12 cordeiros para holocausto
  • 12 bodes para oferta pelo pecado
  • 24 novilhos, 60 carneiros, 60 bodes, 60 cordeiros para sacrifícios pacíficos

Esta generosidade voluntária demonstrava gratidão pela presença de Deus entre eles e compromisso com Sua adoração.

O capítulo termina com uma cena extraordinária: “Quando Moisés entrava na tenda da congregação para falar com Deus, então, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório… dentre os dois querubins; assim lhe falava.”

Deus falava com Moisés do propiciatório — o lugar onde o sangue era aspergido no Dia da Expiação. A comunhão com Deus é possível apenas através da expiação pelo sangue.

Propósito do dia:
Reconhecer que servir a Deus requer reverência, ordem e obediência cuidadosa; que consagração pode exigir renúncias temporárias; e que Deus valoriza cada oferta dada com coração generoso e grato.

Oração:
Senhor, ensina-me a servir-Te com reverência e cuidado, nunca tratando levianamente as coisas santas. Que eu esteja disposto a me consagrar completamente a Ti, renunciando até coisas boas quando necessário. Obrigado porque fazes Teu rosto resplandecer sobre mim e me dás paz. Que minha vida seja uma oferta generosa e grata a Ti. Em nome de Jesus, amém.

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