Números 25–27
Em Números 25, vemos as consequências do conselho maligno de Balaão. Incapaz de amaldiçoar Israel, ele aconselhou Balaque a seduzi-los através de mulheres moabitas. Israel começa a se prostituir com as filhas de Moabe, que os convidam aos sacrifícios de seus deuses. O povo come e se prostra diante de Baal-Peor.
A ira de Deus se acende, e Ele ordena a Moisés: “Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor diante do sol, e o ardor da ira do Senhor se retirará de Israel.” Uma praga começa a matar o povo.
Em meio ao choro e arrependimento, um israelita da tribo de Simeão traz descaradamente uma midianita para sua tenda, à vista de todos. Finéias, filho de Eleazar e neto de Arão, tomado de zelo santo, pega uma lança, entra na tenda e atravessa ambos com um só golpe.
Imediatamente a praga cessa. Deus declara: “Finéias… desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois foi zeloso com o meu zelo no meio deles… Eis que lhe dou a minha aliança de paz. E ele e a sua semente depois dele terão a aliança do sacerdócio perpétuo, porquanto teve zelo pelo seu Deus e fez expiação pelos filhos de Israel.”
O zelo de Finéias salvou a nação. Vinte e quatro mil morreram na praga, mas teria sido pior sem sua ação corajosa. Há momentos em que a tolerância com o pecado é cumplicidade, e o verdadeiro amor exige confrontação.
Em Números 26, após a praga, Deus ordena um segundo censo — o primeiro foi 38 anos antes, no início da jornada. Este censo registra a nova geração que entrará em Canaã.
Os totais são semelhantes ao primeiro censo (601.730 homens de guerra, comparado a 603.550 anteriormente), mas as tribos mudaram significativamente. Algumas cresceram, outras diminuíram drasticamente. Simeão, que tinha 59.300, agora tem apenas 22.200 — redução de 63%, possivelmente devido ao envolvimento na imoralidade com as moabitas.
O censo confirma o juízo de Deus: “Entre estes, nenhum homem houve dos que foram contados por Moisés e Arão… no deserto de Sinai. Porquanto o Senhor dissera deles: Certamente morrerão no deserto. E nenhum deles ficou, senão Calebe… e Josué.”
Toda uma geração morreu por incredulidade. Apenas os dois espias fiéis sobreviveram. Deus cumpre tanto Suas promessas quanto Suas advertências.
O censo também serviria para distribuir a terra proporcionalmente: tribos maiores receberiam porções maiores; tribos menores, porções menores. Mas a localização seria determinada por sorteio — combinação de providência divina e planejamento humano.
Em Números 27, cinco filhas de Zelofeade (da tribo de Manassés) apresentam um caso sem precedente. Seu pai morreu no deserto sem filhos homens. Segundo a lei vigente, sua herança seria perdida. As filhas vêm a Moisés e aos líderes: “Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, porquanto não teve filho? Dai-nos possessão entre os irmãos de nosso pai.”
Moisés leva o caso perante o Senhor. Deus responde: “As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas.”
Deus então estabelece lei permanente sobre herança: se um homem morresse sem filhos, a herança passaria às filhas; se não tivesse filhas, aos irmãos; se não tivesse irmãos, aos tios, e assim por diante. A herança deveria permanecer na família e na tribo.
Este episódio revela que Deus se importa com justiça, especialmente para os vulneráveis. Ele ouve quando casos legítimos são trazidos a Ele. As filhas de Zelofeade não se conformaram com injustiça, mas buscaram mudança através dos canais apropriados — e Deus respondeu.
O capítulo termina com uma cena comovente. Deus ordena a Moisés que suba ao monte Abarim para ver a Terra Prometida, e então declara: “Quando a tiveres visto, tu também serás recolhido ao teu povo… porquanto fostes rebeldes à minha palavra no deserto de Zim… quando santificar-me nas águas diante dos seus olhos.” Referência ao pecado de Moisés em Meribá.
Moisés, em vez de lamentar seu destino, pensa no povo: “Ponha o Senhor, o Deus dos espíritos de toda carne, um varão sobre esta congregação… para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não têm pastor.”
Que coração de verdadeiro líder! Mesmo sabendo que não entraria em Canaã, Moisés se preocupa com quem guiará o povo após sua morte.
Deus responde: “Toma para ti Josué… varão em quem há o Espírito, e põe a tua mão sobre ele… e dá-lhe do teu vigor, para que toda a congregação dos filhos de Israel lhe obedeça.”
Publicamente, perante Eleazar o sacerdote e toda a congregação, Moisés impõe as mãos sobre Josué, transferindo autoridade. A transição de liderança é ordenada, pública e confirmada por Deus.
Josué, que havia sido fiel como espião e como servo de Moisés por 40 anos, agora é comissionado como sucessor. Deus prepara líderes através de longos anos de fidelidade antes de promovê-los.
Propósito do dia:
Reconhecer que Deus honra o zelo pela santidade, que Ele cumpre tanto promessas quanto advertências, que se importa com justiça para os vulneráveis, e que prepara sucessores através de anos de fidelidade.
Oração:
Senhor, dá-me zelo santo pela Tua santidade, sem tolerar pecado nem ser conivente com injustiça. Obrigado porque ouves quando trago casos legítimos a Ti. Ajuda-me a ser fiel no que me confiaste hoje, preparando-me para o que tens para mim amanhã. Que eu me preocupe mais com Teu reino do que com minhas próprias ambições. Em nome de Jesus, amém.






