Ofertas Santas, Festas Sagradas e a Luz Contínua
Em Levítico 22, Deus estabelece regulamentos rigorosos sobre quem poderia comer das ofertas sagradas e quais animais eram aceitáveis para sacrifício. Os sacerdotes e suas famílias podiam comer das porções sagradas, mas apenas quando cerimonialmente limpos. Qualquer sacerdote impuro que comesse das coisas santas seria “eliminado de diante de mim”, diz o Senhor.
Servos comprados pelos sacerdotes e pessoas nascidas em suas casas podiam comer das ofertas, mas não estrangeiros temporários ou empregados contratados. Se a filha de um sacerdote se casasse com um não-sacerdote, não poderia mais comer das ofertas santas. Mas se ficasse viúva ou divorciada sem filhos e retornasse à casa do pai, poderia comer novamente.
Os animais oferecidos a Deus deveriam ser perfeitos, sem defeito algum: “Nenhuma coisa em que haja defeito oferecereis, porque não seria aceita a vosso favor.” Animais cegos, quebrados, mutilados, com úlceras ou sarna eram inaceitáveis. Deus não aceita ofertas de segunda categoria.
Esta exigência de perfeição apontava profeticamente para Cristo, “o Cordeiro de Deus, sem defeito e sem mácula” (1 Pedro 1:19), que Se ofereceu como sacrifício perfeito por nossos pecados.
Em Levítico 23, Deus estabelece o calendário sagrado de Israel — as festas que estruturariam a vida espiritual da nação. Estas não eram apenas celebrações culturais, mas “santas convocações” — encontros marcados com Deus.
O Sábado Semanal era o fundamento: “Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia é o sábado do descanso, santa convocação; nenhuma obra fareis.” Toda semana, o povo parava para lembrar que Deus é o Criador e Provedor.
A Páscoa (14º dia do primeiro mês) comemorava a libertação do Egito, quando o sangue do cordeiro nas portas protegeu Israel do anjo da morte. Jesus seria crucificado exatamente na Páscoa, cumprindo o simbolismo como “nossa Páscoa” (1 Coríntios 5:7).
A Festa dos Pães Asmos (15-21 do primeiro mês) seguia imediatamente a Páscoa. Por sete dias, nenhum fermento era permitido, simbolizando a remoção do pecado e a pressa da saída do Egito.
A Festa das Primícias ocorria no dia seguinte ao sábado durante os Pães Asmos. O povo trazia o primeiro molho da colheita de cevada ao sacerdote, que o movia perante o Senhor. Isto reconhecia que Deus é o doador de toda provisão. Jesus ressuscitou exatamente neste dia, tornando-Se “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20).
A Festa das Semanas ou Pentecostes acontecia 50 dias após as Primícias, celebrando a colheita do trigo. Dois pães levedados eram oferecidos — únicos pães com fermento permitidos no altar, possivelmente representando judeus e gentios unidos na Igreja. O Espírito Santo desceu em Pentecostes, cumprindo esta festa (Atos 2).
A Festa das Trombetas (1º dia do sétimo mês) marcava o início do ano civil com toque de trombetas, descanso e santa convocação. Apontava profeticamente para o arrebatamento da Igreja “ao som da última trombeta” (1 Coríntios 15:52).
O Dia da Expiação (10º dia do sétimo mês) era o dia mais solene do ano, quando o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo para fazer expiação pelos pecados de toda a nação. Era dia de jejum e humilhação.
A Festa dos Tabernáculos (15-22 do sétimo mês) celebrava a colheita final do ano e lembrava os 40 anos no deserto, quando Israel habitou em tendas. Por sete dias, o povo vivia em cabanas temporárias, lembrando que são peregrinos neste mundo. Aponta profeticamente para o reino milenar quando Cristo habitará com Seu povo.
Estas festas não apenas estruturavam o ano ao redor da adoração, mas profeticamente revelavam o plano redentor de Deus através de Cristo e da Igreja.
Em Levítico 24, Deus ordena que azeite puro de oliveira batida seja trazido continuamente para manter as lâmpadas do candelabro de ouro acesas “desde a tarde até pela manhã, perante o Senhor, continuamente”. Esta luz nunca deveria se apagar, simbolizando a presença contínua de Deus e Sua Palavra que ilumina.
Doze pães (pães da proposição) deveriam ser colocados sobre a mesa de ouro todo sábado, em duas fileiras de seis. Representavam as doze tribos em comunhão perpétua com Deus. Incenso puro era colocado sobre cada fileira como memorial. Os pães da semana anterior eram comidos pelos sacerdotes em lugar santo.
O capítulo então registra um incidente perturbador: o filho de uma israelita e um egípcio blasfemou o Nome de Deus durante uma briga. Ele foi levado a Moisés, e Deus ordenou que fosse apedrejado fora do arraial. Toda a congregação participou da execução.
Deus estabelece o princípio: “Qualquer que amaldiçoar o seu Deus levará sobre si o seu pecado. E aquele que blasfemar o nome do Senhor certamente morrerá.” A lei de retribuição proporcional é reafirmada: “Quebra por quebra, olho por olho, dente por dente.” Isto não era vingança excessiva, mas justiça equitativa — a punição deveria corresponder ao crime.
Este princípio se aplicava igualmente a israelitas e estrangeiros: “Uma mesma lei tereis.” Deus não faz acepção de pessoas em Seu julgamento.
Estes capítulos nos ensinam que Deus é santo e exige santidade de Seu povo, que Ele estabelece ritmos de adoração e descanso para nosso bem, e que Sua presença deve estar continuamente entre nós, iluminando nosso caminho.
Propósito do dia:
Reconhecer que Deus merece nossas melhores ofertas, não sobras, que Ele estabelece ritmos de adoração e descanso para estruturar nossa vida ao redor dEle, e que devemos manter a luz de Sua presença continuamente acesa em nossos corações.
Oração:
Senhor, que eu nunca Te ofereça menos que meu melhor. Ajuda-me a estruturar minha vida ao redor de momentos regulares de adoração e descanso em Ti. Que a luz da Tua presença nunca se apague em meu coração. Obrigado pelas festas que apontavam para Jesus e Sua obra redentora. Que eu viva em santa reverência ao Teu nome, honrando-Te em tudo. Em nome de Jesus, amém.






