Pureza Sexual, o Dia da Expiação e a Santidade do Sangue
Em Levítico 15, Deus estabelece leis sobre pureza relacionadas a fluxos corporais masculinos e femininos, tanto patológicos quanto naturais. Estas regulamentações não sugeriam que as funções corporais fossem pecaminosas, mas ensinavam consciência constante da santidade de Deus, estabeleciam práticas higiênicas, e lembravam que aproximar-se de Deus requer pureza. A advertência é solene: “Assim, separareis os filhos de Israel da sua imundícia, para que não morram na sua imundícia, contaminando o meu tabernáculo, que está no meio deles.”
Em Levítico 16, chegamos ao capítulo mais sagrado do livro: o Dia da Expiação (Yom Kippur). Uma vez por ano, no décimo dia do sétimo mês, o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo para fazer expiação pelos pecados de todo Israel. O capítulo começa lembrando a morte de Nadabe e Abiú, estabelecendo que aproximar-se de Deus requer reverência absoluta.
A preparação era meticulosa: o sumo sacerdote banhava-se, vestia simples roupas de linho branco, e oferecia primeiro um novilho como sacrifício por seus próprios pecados. Ninguém poderia fazer expiação pelos outros sem primeiro estar purificado.
O ritual central envolvia dois bodes escolhidos por sorteio. O primeiro era sacrificado como oferta pelo pecado, e seu sangue era levado para dentro do Lugar Santíssimo e aspergido sobre o propiciatório sete vezes. O segundo bode, o “bode emissário” (Azazel), recebia a imposição das mãos de Arão, que confessava sobre ele todas as iniquidades de Israel. Este bode era então levado ao deserto e solto, carregando simbolicamente os pecados do povo para longe.
Estes dois bodes representam profeticamente a obra de Cristo: o bode sacrificado aponta para Sua morte expiatória; o bode emissário representa a remoção completa de nossos pecados — “Quanto está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Salmo 103:12).
O Dia da Expiação era um sábado solene, um dia de jejum e humilhação. Era estatuto perpétuo: “Neste dia, se fará expiação por vós, para purificar-vos; de todos os vossos pecados sereis purificados perante o Senhor.”
Em Levítico 17, Deus estabelece leis sobre o sacrifício de animais e a santidade do sangue. Todo animal abatido deveria ser trazido à porta do Tabernáculo como oferta ao Senhor. Isto evitava que o povo sacrificasse a demônios no campo e centralizava a adoração.
Deus proíbe terminantemente o consumo de sangue: “Porque a vida da carne está no sangue, o qual vos tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.” O sangue representava a vida e pertencia exclusivamente a Deus. Era sagrado porque fazia expiação.
Esta lei apontava para o sangue de Jesus Cristo, que faria expiação definitiva e completa por nossos pecados. Como declara Hebreus 9:22: “Sem derramamento de sangue, não há remissão.”
Estes capítulos nos ensinam que Deus leva o pecado extremamente a sério, mas provê misericordiosamente o caminho para expiação. O Dia da Expiação prefigurava a obra perfeita de Cristo, nosso Sumo Sacerdote, que entrou no santuário celestial com Seu próprio sangue, obtendo eterna redenção para nós.
Propósito do dia:
Reconhecer a seriedade do pecado diante de um Deus santo, agradecer pela expiação completa provida em Jesus Cristo, e viver em santidade, conscientes de que fomos purificados pelo Seu precioso sangue.
Oração:
Senhor, obrigado porque Jesus é meu Sumo Sacerdote perfeito que entrou no santuário celestial com Seu próprio sangue, obtendo eterna redenção para mim. Que eu nunca trate levianamente o pecado nem o sacrifício de Cristo. Purifica-me completamente e ajuda-me a viver em santidade diante de Ti. Obrigado porque meus pecados foram levados para longe, tão distantes quanto o oriente do ocidente. Em nome de Jesus, amém.






